Brazilian Journal of Otorhinolaryngology Brazilian Journal of Otorhinolaryngology
Braz J Otorhinolaryngol 2017;83:497 DOI: 10.1016/j.bjorlp.2017.06.001
Editorial
The meta‐analysis
A metanálise
Fernando de Andrade Quintanilha Ribeiro
Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil

Em 1543 foi proposta pela Igreja Católica uma metanálise para confirmar, ou negar, a teoria do geocentrismo (a Terra como centro do universo) como mencionado nas escrituras. Alguns rumores diziam que um tal de Nicolau Copérnico, um polonês, insinuava que o sol, e não a terra, seria o centro do universo.

A metanálise foi encomendada a eminentes estatísticos pelo cardeal São Roberto Belarmino (Roberto Francesco Romolo Bellarmino), da Santa Inquisição, a pedido do Papa Clemente VII, para elucidar de uma vez a questão.

Os principais trabalhos levantados foram os dos gregos Aristóteles escritos por volta de 300 aC e os de Hiparco em 190aC., assim como muitos outros que o antecederam, como os de astrônomos sumérios, babilônios, egípcios, chineses e do vale do Indu (a astronomia maia ainda não era conhecida). Foram também compilados os trabalhos que o sucederam, como os de Cláudio Ptolomeu, em Alexandria, em 90 dC, e os do árabe Albunasar, de 886 dC, entre outros menos conhecidos, mas não menos importantes. Os trabalhos perfizeram obras no período de 2.500 anos.

Para uma adequada metanálise, todos os trabalhos tratavam do mesmo assunto e tiveram a mesma metodologia, ou seja, a observação detalhada do céu quer de dia quer de noite. Foram selecionados entre os primeiros 1.636 trabalhos apenas 285, pois muitos se perdiam entre considerações divinas suspeitas e traduções inadequadas. Observou‐se, depois de cálculos estatísticos e com base em evidências, a óbvia rotação do sol, da lua e das estrelas em volta da terra. Pronto, os números não mentem, estava correta a teoria geocêntrica da igreja provada através da insuspeita metanálise de centenas de trabalhos. O estado da arte em astronomia e geofísica.

Nessa época, em plena renascença, o tal Nicolau Copérnico quase foi preso por blasfêmia. Perseguido e doente, apresenta sua obra De Revolutionibus Orbium Coelestium, que não necessita de tradução, e logo veio a morrer.

Após sua morte, todos que acreditassem no heliocentrismo eram ferozmente perseguidos pela igreja. Um deles foi Giordano Bruno, que, por não negar suas ideias, foi queimado vivo pela inquisição. Outro foi Galileu Galilei, que, para não ter o mesmo fim, teve de jurar ao Papa Urbano VIII que a terra era o centro do universo e não se movia em torno do sol, mas disse baixinho antes de ir para a masmorra: “E pur si muove” (traduzido do romano arcaico: mas que se move, move!).

Mas o mundo continuou a dar voltas e, tempos depois, Kepler veio a confirmar e melhorar o conceito do heliocentrismo.

Bem. Depois disso vieram Isaac Newton, Einstein, a Nasa, o Big Bang, o Hubble, a física quântica e sabe‐se lá o que mais virá.

Conclusão

Não acreditem “piamente” em todas as metanálises e não queimem impensadamente na fogueira os incrédulos e divergentes.

Conflitos de interesse

O autor declara não haver conflitos de interesse.

Como citar este artigo: Ribeiro FA. The meta‐analysis. Braz J Otorhinolaryngol. 2017;83:497.


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Braz J Otorhinolaryngol 2017;83:497 DOI: 10.1016/j.bjorlp.2017.06.001